quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Injustiça

Já há poucas coisas que me chocam na nossa justiça mas não deixo de me sentir indignada e revoltada com algumas situações que vejo.
Hoje apareceu-me uma rapariga de 20 anos em absoluto desespero e assim que entrou na sala disse-me : “ Preciso que faça alguma coisa. Preciso que me ajude. Estou com a vida desfeita”. Depois de a acalmar ela lá me contou a história.
“ Há uns tempos envolvi-me com um rapaz por quem estava apaixonada e fizemos cenas pornográficas. Ele normalmente fotografava as cenas. Um dia discutimos e ele fez um blog com o meu nome completo e com todas as fotografias. Isto passou –se há 4 anos e agora chegou à minha faculdade ... onde sou chacota”.
Entretanto a rapariga apresentou duas queixas – crime contra a dita pessoa. Ambas foram arquivadas por não conseguirem descobrir quem era o autor do blog.
A rapariga escreveu um mail para o blogspot a contar o sucedido e a requer que o blog fosse eliminado. Nada feito, nem sequer teve resposta.
A Polícia judiciária , nas duas queixas apresentadas, disse que não conseguia eliminar o tal blog, onde a desgraçada da miúda aparece em cenas ......
Depois das duas queixas terem sido arquivadas, o pai da miúda apresentou quatro requerimentos no DIAP para eliminarem o blog. Nada!
Passados 4 anos a miúda continua a ser vista por quem a quiser ver a fazer sexo oral , a ser chicoteada e ... por aí fora...enfim... É o estado desta justiça merdosa!
Falando em PJ. No outro dia ouvi o Bastonário da ordem dos advogados a dizer que além da mãe da Joana houve mais pessoas a serem maltradas na PJ. A Ordem dos Advogados também é assistente num processo de um motorista que foi espancado na PJ da José Malhoa... que grande coincidência ... acho que até sei qual foi a sala... e depois vêm dizer que os hematomas da mulher foram feitos a computador. Deve ter sido no computador do inspector... da PJ da José Malhoa...

Indy

Então não é que foi perguntado aos americanos qual seria para eles o estereótipo de Presidente e 15% responderam : Harrison Ford !
Está certo. Ele realmente faz um bom papel no Air Force One.
Se eles não tivessem a bomba atómica isto dava vontade de rir.
P.S. Eu odeio o Obama. Gosto do McCain. O problema é se ele morre entretanto... é melhor nem se brincar com estas coisas ... era o medo... a Palin a poder carregar no botão da bomba!!!!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Besuntas – parte II

Como já aqui foi dito, o “Besuntas”, como é carinhosamente apelidado, é o restaurante mais sujo de Portugal. Mas também o mais divertido.
Num almoço em que o dono estava especialmente bêbado, mas mesmo assim insistia em estar à frente da grelha, e onde a berraria reinante conseguia estar acima dos habituais decibéis, já anormalmente altos (sempre provinda do mesmo dono bêbado), decidimos almoçar na esplanada. Nada melhor do que estar na esplanada, esperar 30 minutos pela entrega do menú, e mais 30 minutos para pedir, porque sempre nos dá tempo para descontrair e rirmo-nos a bandeiras despregadas! Eu quero é festa!
Pois neste dia em especial, os clientes rebelaram-se. Coisa anormal e nunca vista! Diz que já tinham feito o seu pedido há mais de 45 minutos, estavam fartos de ver o tal dono bêbado a arremessar frascos de mostarda à mulher, não quiseram esperar mais e saíram do restaurante, insensíveis aos pedidos já formulados e que, segundo ele, estavam já já a sair (estavam era já já a sair há mais de meia hora…). Pois que o dono que nesse dia estava especialmente bêbado, rebelou-se ele próprio contra os clientes, e era vê-lo, de travessa de alumínio na mão, cheia de peixe-espada acabadinho de grelhar, a correr todo torto atrás dos clientes, sempre aos berros: “Ó Doutori!!!!!!! Volte cá que o seu peixe já está pronto! Esta merda não é abancar, atar e por ao fumeiro!!!” Nós, que assistíamos a isto da 1ª fila, riamos que nem uns perdidos (ou melhor, eu ria-me que nem uma perdida; o resto estava um bocado para o atónito…), principalmente por conhecermos os ditos Doutoris que quase desataram a correr do desgraçado do dono… Eis senão quando chega um amigo meu, atrasado como sempre, e senta-se à mesa pronto para ser servido. O ar de animação nas nossas caras era ainda demasiado evidente. E intensificou-se quando o dono bêbado volta ao ataque, direitinho à nossa mesa e àquele desgraçado que tinha acabado de chegar e, ainda com a mesma travessa na mão, dá-se este diálogo altamente improvável:
Besuntas: O que é que vai ser Doutori?!
Doutori: Não sei… O que é que tem?
Besuntas: Olhe, tenho aqui peixe-espada acabadinho de grelhar só para si!
Doutori: Mas eu não gosto de peixe-espada…
Besuntas: Não gosta?! Não gosta?! Agora Come!!”
Vai daí, pespega-lhe com a travessa na mesa e com ar de triunfo dá meia volta.
O meu amigo comeu o peixe-espada…
Moral da história: no besuntas se não gostas, ou comes ou pões na borda do prato!

besuntas

No restaurante mais sujo de Portugal, onde o dono está bêbado, a água bebe-se da garrafa (não se vá apanhar alguma doença grave do copo) e que carinhosamente a malta trata por besuntas...

Ah pois é!: qual é a sopa hoje?
Empregada: não sei (risinhos).
Ah pois é!: E quais são os pratos do dia?
Empregada: não sei (risinhos).
Ah pois é!: Tens a certeza que trabalhas aqui?

A rapariga encosta a cabeça no ombro da Ah pois é! e suspira.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

E se quisessem ser a Pequena Sereia?!

Esta mania que as pessoas têm de andar à procura do príncipe encantado é uma coisa que me revolta as entranhas. Não por andarem à procura, que eu ando sempre à procura de alguma coisa: ou das chaves do carro, ou do elástico do cabelo, ou do telemóvel (é o que dá não seguir os conselhos de um amigo e não numerar os items!), mas por andarem à procura de uma coisa que não existe! Há quem passe a vida inteira à procura de tesouros e também não os encontra, mas pelo menos divertem-se pelo caminho! Estas pessoas passam a vida inteira a olhar para outras pessoas e a verificar, ponto por ponto, se correspondem aos requisitos que têm apontados num pedaço de papel, já amarelo, sem o qual nunca saem de casa, e que são muito parecidos com os “requisitos dos príncipes” das histórias que nos liam em crianças. Sentadas num café ou em qualquer outro sítio com grande amplitude visual, sacam do dito papelinho e, de caneta em riste, começam: “Ponto 1: Moreno, certo!; Ponto 2: 1,80m… huummm...tem 1,65m mas serve, parece mais alto… certo! Ponto 3: cavalo: Foda-se! Menos um…!”. Quando finalmente descobrem alguém que preenche mais de 60% dos requisitos, fazem o número do sapatinho, do beicinho, do vestido de gala e depois, invariavelmente, voltam ao pedacinho de papel para começar tudo de novo… E é a isto, meus amigos, que eu chamo de “Síndrome da Gata Borralheira”. Mulheres para quem a felicidade é o jogo da procura, da descoberta, da frustração e de nova procura. Sei de muito boa gente que se sentiria feliz com uma bola de gelado de baunilha, uma tarde num spa ou 3 meses de férias. Mesmo com a procura, a descoberta e a nova procura dessas coisas. Agora com um príncipe encantado?... Que trabalheira! O que me leva à pergunta que me assola há dias o espírito: Se a infância daquelas pessoas tivesse sido a ler a Pequena Sereia, andavam para aí de barbatana e a dar ao rabo?!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Viva o Prozac!

Tenho dias em que gostava de voltar ao Prozac. Muitos dias mesmo, por sinal. A bem dizer, foram os melhores tempos da minha vida! Pelo menos para mim e para a minha Patanisca F., que ao contrário de praticamente toda a gente, adorou o meu estado de comprovada loucura e ria-se como uma louca comigo (e cheira-me que não era apenas para me fazer companhia…). A minha mãe, pelo contrário, ameaçou-me por diversas vezes que me internava se eu não parasse de dizer tudo aquilo que me passava pela cabeça. É verdade que durante aquele tempo pus o “filtro” na arrecadação, e disse algumas coisas incómodas (e algumas foram mesmo incómodas…). É verdade que disse algumas coisas disparatadas (pouquinhas…). É verdade que na noite do velório de um amigo, e durante o jantar, tive um ataque de riso incontrolável (ups…). Mas daí a internar-me?! Nunca me senti tão bem!!! Aliás, se querem saber, acho que toda a gente devia tomar Prozac. Não só uma vez, mas sempre. Isso é que era! Isso é que era animação! Acho mesmo que faz falta ao pessoal libertar-se. Pessoas que se levam demasiado a sério, pessoas que não se levam a sério de todo, pessoas emproadas, pessoas estúpidas, pessoas com a mania da perseguição, pessoas sem manias (desconfiem sempre duma pessoa que não tenha uma boa mania..). Era vê-las todos ao estalo. Mas ao menos ficavam curadas! Viva o Prozac!

Uma Conspiração de Estúpidos

Não, não tenho a mania da perseguição. Mas preferia. Mesmo. Isso ao menos significava que aquilo que vejo, demasiadas vezes para o meu gosto, é apenas fruto da minha imaginação fértil. Mas para mal dos meus pecados – e dos vossos! – existe realmente uma conspiração em curso. De estúpidos.

Este movimento está a criar adeptos como nenhum outro movimento antes conseguiu. Nem mesmo o Benfica, por muitos sócios que diga ter. Por outro lado, a semelhança é assustadora. Assim como aqueles paizinhos que inscrevem os filhos como sócios do Benfica antes mesmo de registá-los no Registo Civil – o que, provavelmente, justifica a cambada de nomes parvos que por aí andam - “Ó Xô Zé, diga lá como é que se chama a miúda? Para eu por aqui na cartolina! Ahh…Uhhh… Ahhh.. Aixa que eu… Aixa? Muito Bem! Aixa quê?” E vai daí a criancinha passa a chamar-se Aixa Márisa Silva (http://www.dgrn.mj.pt/civil/NomesAdmit.pdf) -, também os estúpidos são inscritos como sócios vitalícios nesta grande irmandade, e a grande maioria, tenho cá para mim, logo à nascença. Há os que o são por imposição, mas cima de tudo há os que o são por escolha própria. As técnicas são das mais avançadas, e enganam o olhar menos atento. E é então que surge a pergunta: quem, no seu perfeito juízo, prefere ser estúpido a inginheiro ou doutori? Eu respondo: as pessoas que sabem, desde a nascença, que têm uma vocação, e querem fazer disso carreira. Trabalhar em uma qualquer repartição pública!

Haverá coisa mai linda que chegarmos a um balcão de atendimento, suponhamos, ou melhor, supônhamos, os serviços técnicos da câmara municipal de Almada, e depararmo-nos com um estúpido de carreira?! Até aqui tudo bem. O que eu quero é ser atendida por alguém competente, nem que seja na estupidez. O problema começa quando, sem qualquer explicação, começamos a sentir um pequeno desconforto e a achar que estamos a ser espiados. Olhamos para os outros balcões, para o chefe – sentado lá atrás, barrigudo, baixo a tocar o nanismo, e de bigode -, para o segurança, até mesmo para a obscena fila que se vai formando atrás de nós (porque a obscena fila que está à nossa frente já conhecemos de cor e salteado, à pala das 3 horas de espera!), e ficamos com a estranha mas nítida sensação que todos fazem parte de uma mesma e grande equipa. Depois é que vem a certeza, e digo-vos, meus amigos, não há nada mais aterrador. É verdade! Estão todos unidos para nos destruir! Ou pelo menos, a nossa sanidade mental! Ao fim de 3h10 de espera, fartinhos de ter gente colada a nós (porque é que será que as pessoas se colam a nós?! Faz parte do plano!), chamam o nosso número, sentamo-nos no balcão indicado pelo moderno conta senhas – com o segurança, sentado em baixo, a oscilar entre o ar de escárnio e o ressonanço -, dizemos ao que vamos (ao que vamos?!), e depois de explicarmos o que pretendemos e estarmos a ver que o estúpido que nos está a atender já está a escrever o que queremos no computador, esta criatura do demo entrega-nos um papel (sem olhar para nós) e diz (sempre sem olhar para nós): “Tem de preencher”. Ainda retorquimos: “Então mas não está já a preencher no computador?”. Resposta óbvia: “Sim, mas tem de preencher à mesma e tirar a senha verde!” Hã???? Já a morder a língua para não ir às fuças a alguém, aproximamo-nos de novo do segurança para tirar a senha, ele olha para nós com ar de gozo, vamos para outra fila igual à primeira por mais 1 hora, e ficamos com a ligeira sensação que aquelas pessoas são, de certeza, figurantes porque são precisamente as mesmas da fila anterior, chamam-nos finalmente, sentamo-nos, entregamos o papel, o estúpido que desta vez nos atende olha para aquilo na diagonal, dá-lhe uma murraça bem dada, espeta-lhe uma marca azul com uma data e diz-nos somente: “Demora 10 dias úteis. Quando voltar, tire a senha rosa”. E sem olhar para nós, entrega-nos o maldito papel esmurrado, não sem antes esboçar um esgar… Passamos 10 dias com as entranhas às voltas, mas tentamos desesperadamente manter um espírito aberto e positivo quando, no dia marcado, voltamos à mesma repartição. Tiramos a senha rosa, porque somos bem mandados (já repararam que não se vê numa repartição pública actos de rebeldia?! Ninguém diz: “Ah ele é assim?! Mandaram-me tirar a senha rosa?! Então aqui vai uma verdinha! MUUAAAHAHAHAH), esperamos quase 1 hora para ser chamados, o estúpido que nos atende recebe o maldito papelinho de levantamento do documento, olha para nós como se nós é que fossemos os estúpidos e diz-nos com ar exasperado: “Não é aqui!! Vai ter de ir ao 1º piso!”. Bufar não vale… Por isso, quase dóceis, damos corda à sola, subimos as escadas e somos atendidos por alguém que pensamos que deve ser adoptado… não parece ser estúpido… E é então que nos diz que houve um “pequenino problema” (nunca acreditem quando te dizem que o problema é pequenino, normalmente é sinónimo de que aí vem merda da grossa!)… Imprimiram o nosso “papel ao contrário” e aquilo que tão desesperadamente esperámos para escrever, está ilegível! Resultado: novo preenchimento, e uma corrida de 45 minutos de recolha de 50 assinaturas diferentes! Finalmente temos a porcaria do papel, devidamente assinado por todos os estúpidos daquela sucursal da irmandade! E quando chegamos ao escritório, com ar de triunfo porque a estupidez acabou por não nos vencer (afinal, estamos com a nossa sanidade mental gravemente beliscada mas temos a merda do papel!), o que é que fazem ao papel?? O quê?! Arquivam-no num dossier cheio de pó!!! É para uma qualquer eventualidade, dizem… AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Por isso, cuidado! Eles andem aí…! E para o provar, deixo-vos mais um momento de inigualável estupidez. Hasta!